close

Grana

O que é deflação e como isso afeta os investimentos?

março de 2018


timer
Tempo aproximado
de leitura:
8 min



O que é deflação?

Entender o que é deflação é bem simples. Trata-se simplesmente do inverso da inflação, quando o índice de preços para o consumidor tem uma baixa. É uma queda de valores, que pode ser significativa ou não, em diversas categorias de produtos.

Mesmo que a deflação pareça boa a princípio, ela pode estar ligada à recessão.

Mesmo que pareça algo bom, esse conceito pode ter características negativas. É bem verdade que o valor real do dinheiro aumenta, porque com um determinado valor se pode comprar mais do que em um período de inflação.

Porém, a deflação pode estar ligada à recessão. Os preços podem baixar por falta de vendas ou severa diminuição delas e, evidentemente, se não há procura, o efeito não pode ser diferente.

A partir de agora, você, que já sabe o que é deflação, vai ter mais detalhes sobre esse tema e como ele afeta o mercado e os investimentos em geral. Primeiramente, veja a diferença entre deflação e desinflação.

Qual a diferença entre deflação e desinflação?

Para entender ambos os conceitos, é necessário verificar as taxas de inflação e compará-las com a anterior.

Embora pareçam ser sinônimos, há uma grande diferença entre ambos. A deflação pode ser considerada o contrário da inflação, ou seja, se a primeira significa aumento de preços, a segunda é uma diminuição desses números.

A desinflação, por sua vez, é a diminuição da velocidade de aumento de valores. Logo, quando acontece esse fenômeno, há a elevação dos preços, ainda que menor do que em momentos anteriores.

Por exemplo: imagine que um determinado item custe R$100,00 e a inflação seja de 3% ao mês. Logo, ele custará R$103 após o reajuste.

Em um cenário de deflação, seu preço começa a cair. Se essa taxa for de 1%, o artigo passa a valer R$99,00.

No entanto, se ocorrer uma desinflação, não haverá uma queda no valor absoluto do preço, mas na taxa de aumento. Dessa maneira, se em um determinado mês a inflação foi de 3% e nos 30 dias seguintes ela registrar 2%, o produto, que chegou a R$103, passará a ser de R$105,06.

Como você perceber, houve uma diminuição do aumento do valor do item, que se valoriza ainda mais. Assim é a desinflação.

Você viu na introdução uma rápida definição da diferença entre inflação e deflação. Veja agora mais detalhes e como isso é aplicado na prática.

E entre deflação e inflação?

Como já mencionado, a deflação é justamente o oposto da inflação. Esta se caracteriza pelo aumento global dos preços, em todas as categorias, embora haja uma variação conforme a classificação dos produtos. A taxa amplamente divulgada nos meios de comunicação é uma média.

Nessa situação, a moeda se desvaloriza, pois, com a subida de preços, um determinado valor tem um poder de compra menor do que no período anterior.

Já quando há deflação, todos os produtos passam a valer menos. Os critérios são os mesmos usados na inflação. É bom lembrar que cada categoria tem uma taxa distinta, mas é calculada uma média geral.

Dessa maneira, a moeda se torna mais valorizada, porque uma quantia em dinheiro passa a comprar mais do que anteriormente.

A taxa de deflação é sempre negativa, daí a sua contraposição em relação à inflação. Já a desinflação é como se fosse uma variedade da inflação; a taxa é positiva, mas tem uma tendência de queda ao longo dos meses.

Agora que todos os conceitos estão devidamente esclarecidos, veja a seguir quais são os tipos de deflação e o papel de cada um deles no cenário econômico.

Quais são os tipos de deflações e o que eles representam?

A deflação, como já colocado, pode ser ruim para a economia de um país. Por outro lado, pode ter características positivas. E é exatamente isso o que você verá a partir de agora: os dois lados da moeda.

Como são diferentes entre si, seus efeitos nos investimentos e na economia de um país também mudam e podem ser tanto positivos quanto negativos.

A deflação considerada boa é consequência do aumento da produção de uma forma geral. Com mais peças no mercado, a demanda aumenta, é mais fácil encontrar determinados itens e, com o leque mais amplo, os preços tendem a cair.

Na história, isso foi um fenômeno muito comum ao longo do século XX, principalmente nos Estados Unidos e países da Europa. Não foi algo que aconteceu de repente: esse crescimento foi gradual e estimulado pela evolução da tecnologia.

A oferta de empregos era constante e o cenário era bastante positivo, mesmo sem subida de salários. Com a massificação da produção, os bens e serviços se tornaram mais baratos e os trabalhadores passaram a ter mais poder de compra.

Isso pode ser percebido ainda hoje em alguns segmentos da economia, como a tecnologia, que conta sempre com lançamentos, responsáveis por desvalorizar os modelos mais antigos.

A deflação pode ter consequências tanto positivas quanto negativas. Isso vai depender do contexto econômico.

Em contrapartida, a mesma deflação, que foi traço marcante do desenvolvimento de diversas nacionalidades, pode ser algo bastante prejudicial. Nos dias de hoje, essa conjuntura, inclusive, é a mais comum.

Nesse contexto, os preços baixam pelo simples fato de ter menor demanda para que os consumidores possam adquiri-los. Isso pode acontecer em localidades onde há um número muito grande de desempregados, que, pela falta de dinheiro, diminuem suas despesas. É propício, ainda, que a deflação apareça em países onde há um estancamento econômico por um largo período.

No Brasil,  embora seja algo raro de acontecer, ela se fez presente em junho de 2017, já na atual crise econômica. É importante destacar que esse tipo de deflação é mais frequente em países desenvolvidos que passam por um momento de instabilidade.

Como resultado do desemprego e da estagnação da economia, muitas pessoas, temerosas com o futuro, deixam de gastar para criar uma reserva para momentos mais turbulentos. Esse é mais um fator que contribui para a baixa geral nos preços, pois é um valor que as empresas produtoras esperavam receber a princípio e que não foi concretizado.

A própria tendência de baixa faz com que os consumidores deixem projetos para um outro momento, quando se espera uma desvalorização do produto ou serviço.

Esse é um círculo vicioso. As companhias que produzem os itens sentem a queda nas vendas e precisam diminuir sua mão de obra para poder honrar seus compromissos. Com o aumento do número de pessoas sem ocupação, há uma diminuição ainda maior do poder de compra e aumento das opções de contratação de funcionários, o que retrai também os salários.

O efeito disso é o colapso da economia de uma forma geral. Com o aumento de saques e a queda de depósitos, a crise chega aos bancos, que também começam a ter sérios problemas.

A partir de agora, você saberá melhor o que a deflação pode causar de fato nos investimentos de um modo geral.

Quais as consequências da deflação para os investimentos?

Alguns investimentos têm aspectos positivos com a diminuição dos preços.

Muitos economistas acreditam que a deflação ruim pode ter efeitos ainda mais devastadores do que a própria inflação. Como você viu no tópico anterior, eles podem ser comparados a uma bola de neve, porque crescem de maneira progressiva e atingem todos os setores da economia.

Assim, uma baixa geral nos preços, mais cedo ou mais tarde, chega até todos os consumidores finais, e é isso o que você vai ver a partir de agora.

Pessoas que têm financiamentos de longo prazo, como veículos e, principalmente, imóveis, podem ter transtornos com a deflação. O motivo disso é simples: os preços dos produtos sofrem uma baixa generalizada, mas o mesmo não ocorre com essas dívidas, que se mantêm estáveis.

Dessa maneira, pode-se concluir que cada parcela tem um valor mais alto, pois não acompanha a tendência dos demais itens.

Para outros investimentos, o cenário não é tão desolador, pois, com a prática de taxas mais baixas, qualquer modalidade apresenta rendimentos maiores do que a inflação.

É importante levar em consideração, nesse caso, o retorno real, a taxa de juros com desconto da inflação do período. Como houve uma deflação em vez do aumento de preços, essas aplicações podem apresentar uma alta rentabilidade.

No entanto, quando ocorre o fenômeno oposto – uma alta inflação – alguns investimentos não apresentam vantagem alguma. Um exemplo disso é em situações nas quais a alta apresenta uma taxa de 5% em um determinado mês, mas o investimento rende apenas 3%.

Pode-se dizer que houve um prejuízo, pois, nesse período, não é possível comprar o mesmo do que no anterior, em virtude dessa diferença negativa.

Já os títulos públicos subordinados à inflação têm juros sempre acima desta, mas, para isso, o investidor precisa mantê-los em seu poder até a data de vencimento.

Um exemplo disso é o Tesouro Direto. Essa é uma aplicação favorável quando comparada a outros similares. No entanto, os resultados podem variar de acordo com o prazo de cada título e da esperança da continuidade de recuperação da economia.

Para se ter uma ideia, essa modalidade ainda pode gerar mais lucros do que as Letras de Crédito Agrícola (LCA) e Imobiliário (LCI). Esses investimentos são aconselháveis por não cobrarem Imposto de Renda e serem seguradas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), desde que o seu valor não ultrapasse R$250 mil por CPF.

O Tesouro IPCA+, uma variação do Tesouro Direto, também pode exemplificar isso. Ao comprar um título com juro real de 5% e, posteriormente, oferecer um rendimento de 3%, o valor do papel aumenta ao ser vendido antes do prazo final. Se acontecer uma situação oposta, com aumento da taxa real, o preço cai se a transação for antecipada.

Já a aplicação mais adotada no Brasil, a poupança, também pode ter mais rendimento com a deflação, pois o ganho real aumenta no cenário de deflação. No entanto, o cenário mais recente, com queda na taxa Selic, acaba por provocar a diminuição do retorno deste e outros investimentos.

Entretanto, a redução dessa taxa tem consequências positivas de outra natureza: o consumo e a produção são incentivados e ajudam, de certa forma, a evitar as consequências negativas da deflação.

Já para a aquisição de certos produtos e bens, um momento de desvalorização de bens, serviços e produtos, como provoca a queda de preços, pode ser positivo se o pagamento for feito à vista ou parcelado sem juros. Ao aproveitar esse momento de baixa, é possível conseguir bons artigos com preços que dificilmente seriam os menos em tempos de economia mais favorável.

As condições ainda podem ser mais favoráveis se o produto estiver em um período de crise maior do que o proporcionado pela própria deflação. Os descontos podem ser muito bons, já que nenhuma empresa sobrevive com vendas muito modestas.

Logo, para adquirir um imóvel ou um carro zero quilômetro, por exemplo, esse pode ser o instante mais favorável. No entanto, é necessário juntar uma boa quantidade de dinheiro anteriormente, para que as condições sejam ainda mais convenientes.

Como visto, a deflação não deixa passar imune quaisquer aspectos da economia de um país, como investimentos, compras e ofertas de emprego. Sempre há uma consequência de sua ação, seja ela positiva ou negativa.

Você também viu que a desinflação é um conceito distinto e que não pode ser confundido com queda geral dos preços.

Agora que sabe o que é deflação e tudo o que a cerca, você pode obter mais informações sobre o mercado financeiro em outros artigos do blog. Com linguagem simples e direta, os artigos trazem dicas e soluções para você usar bem seu dinheiro e investir com sucesso sem precisar se tornar um especialista no assunto.

Sempre fique atento às atualizações do site para saber as novidades.

Aproveite para deixar seu comentário ou dúvida aqui.



Leia mais

Grana
timer 5 min

Empréstimo para MEI: entenda como funciona

janeiro de 2018
Grana
timer 6 min

Como funciona o pagamento mínimo do cartão e por que ele deve ser evitado?

março de 2018
Grana
timer 7 min

Qual a importância da reserva de emergência e como formar a sua?

março de 2018