Entenda o que é Selic e a sua importância

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O que é a taxa Selic?

A cena não é incomum: você sentado, assistindo ao telejornal em uma quarta-feira à noite, ansioso pelo futebol ou pela novela das nove, e o repórter anuncia numa voz firme e imponente: “Hoje, a taxa Selic bateu 6,5% ao ano”.

Como sempre, sua reação é a pura indiferença ou, no mínimo, a dúvida que passa sempre de forma automática e involuntária: “mas o que é taxa Selic mesmo?”.

Pois é. A ideia é esclarecer esta dúvida, para que ela não mais apareça, permitindo que sua rotina siga normalmente sem este questionamento ou sensação de indiferença – pelo menos saberá do que se trata e verá que isso envolve muito mais a rotina dos brasileiros do que se imagina.

A taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil. Todas as outras taxas de juros têm ela como base. O nome vem de Sistema Especial de Liquidação e Custódia – apesar de parecer complicado, a ideia é bem simples: o governo controla a taxa de juros, com a intenção de controlar, também, a inflação do país.

Selic é a taxa básica de juros aplicada no Brasil por decisão do Copom. Imagem: Freepik

Outro aspecto, também da Selic, é a de ser a média dos títulos públicos utilizados pelos bancos quando estes precisam zerar suas posições financeiras.

Selic Over

É importante entender que a Selic se divide em duas. Ao se referir à Selic Over, está se falando do sistema que faz a média ponderada das operações financeiras registradas em títulos públicos federais.

Em uma explicação ainda mais fácil: ao final do dia, todos os bancos têm que “zerar” seus caixas. Porém, alguns finalizam o dia com o caixa em negativo. Para equilibrar o caixa naquela noite, a instituição financeira pega um “empréstimo” em títulos públicos. Esta média ponderada “overnight” (do inglês, pela noite) denomina-se Selic Over.

Selic Meta

Já a Selic Meta é justamente a taxa básica de juros. O nome vem da meta estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os juros básicos naquele período no país. As reuniões do Copom acontecem a cada 45 dias e, apesar de as taxas variarem diariamente, elas sempre permanecem muito próximas à meta estabelecida no último encontro.

Qual a sua importância?

O papel da Selic é claro: ela afeta nos juros. Como dito, ela é base de todos os juros aplicados no Brasil. E, como os juros aplicados no Brasil são alguns dos maiores do mundo, não é algo para se ficar totalmente alheio.

Além disso, é importante saber que os juros e, consequentemente, a taxa Selic, estão diretamente ligados à inflação. Basta observar a antiga e infalível regra da oferta e da procura: quando os produtos estão com os juros mais altos, a tendência é que a procura por eles (principalmente aqueles mais caros e que necessitam de parcelamento e empréstimos)  diminua. Consequentemente, o fornecedor vai ter que baixar o valor daquele produto, desvalorizando a mercadoria e diminuindo a inflação.

Por outro lado, se os juros estão baixos, a procura pelos produtos caros que demandam parcelamentos e empréstimos aumenta e, consequentemente, seus valores também. Desta forma, o produto é valorizado, aumentando a inflação.

Acompanhar a Selic é uma forma de saber como anda a economia do Brasil. Imagem: Freepik

É válido ressaltar que uma forma de controlar o mercado é tendo controle da inflação. Como fazer isso? Através da taxa Selic. Basta  dominar a taxa de juros básica e todas as outras taxas de juros vão segui-la.

Não se pode esquecer também que a taxa Selic afeta a empregabilidade. Principalmente nas empresas de mercadorias de consumo alto e que exigem empréstimos e financiamento (indústria de automóveis, por exemplo), uma forma de reagir às baixas vendas é cortar gastos através da demissão de funcionários. Por isso, a importância de sempre observar a taxa Selic.

Como a taxa Selic é definida?

A taxa Selic é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. O Comitê foi criado em 1996 com o intuito não só de definir a taxa básica de juros, como também de estabelecer as diretrizes da política monetária e regular a liquidez da economia.

Sede do Banco Central, em Brasília. Imagem: EBC – Divulgação

Nas reuniões do Copom para definir a taxa básica de juros, são discutidos diversos âmbitos importantes para chegar ao número ideal. No primeiro dia de reunião, são feitas análises como as da conjuntura doméstica, abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, mercado monetário e avaliação prospectiva das tendências da inflação. São vistas ainda as expectativas gerais para variáveis macroeconômicas, como taxa de câmbio, inflação, taxa de juros, dívida pública, entre outros tópicos.

Já no segundo dia da reunião, são colocadas as propostas de alternativas para se chegar à taxa Selic. Se houver um consenso, a decisão final sobre a meta Selic é divulgada à imprensa e um comunicado é expedido ao Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).

Como calcular a taxa Selic?

Como conceitua o Banco Central, a taxa Selic é “obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas”.

Ou seja, diariamente, os títulos públicos federais e as operações de financiamento são calculados e delas é tirada uma média em câmaras de compensação e liquidação, para que se possa extrair a taxa com base em operações compromissadas por estas instituições e movimentações financeiras.

Apesar de existir uma equação complexa para isso, hoje, o sistema automático do Banco Central já efetua diariamente este cálculo.

Para chegar à Selic, cálculos são feitos de forma automática pelo sistema. Imagem: Pixabay

Variações da Selic

Como já é perceptível, a taxa Selic é importantíssima de ser acompanhada por qualquer pessoa. Seja no âmbito empregatício ou apenas para decidir as compras no fim de semana. Observar as variações da Selic e como isso pode vir a afetar o dia a dia também é imprescindível, pois as consequências são diversas, como você pode observar nos próximos tópicos:

Economia

A economia tem raízes entrelaçadas na taxa Selic, tanto na Selic Over quanto na Selic Meta. Por se tratar de um segmento intrinsecamente ligado ao mercado financeiro, é ingênuo não conectá-lo à taxa de juros e à manutenção de inflação. É claro e evidente que quanto mais equilibrada e acessível as taxas estiverem, mais movimentada e aquecida estará a economia nacional.

Porém, é válido lembrar também que, para uma economia saudável, nem sempre o poder econômico deve estar totalmente nas mãos do consumidor. O equilíbrio precisa ser mantido e o poder de compra vir acompanhado de um mercado forte e sustentável. Tudo isto está relacionado a uma política de juros que seja condizente com a realidade financeira do país.

Inflação

Como dito, a relação com a inflação é cíclica e faz parte da lei da oferta e da procura. A taxa Selic estabelece os juros básicos e, em cima dela, vêm os juros praticados pelas empresas ou instituições financeiras. Isso influencia diretamente no valor final dos produtos que o consumidor terá acesso.

Produtos de alto valor que exigem financiamento e empréstimos deixarão de ser consumidos pelo alto valor dos juros. Consequentemente, a procura diminui e o valor desce junto, desvalorizando o produto e diminuindo a inflação. Já quando a taxa Selic desce, os juros serão mais baratos. Desta forma, os produtos que exigem financiamentos e empréstimos serão consumidos, a procura aumenta, o valor sobe e a inflação também.

Mais uma vez, é válido ressaltar: nem sempre a inflação totalmente baixa ou alta agrada o governo. Para estabilizar a economia, muitas vezes, é interessante controlar a taxa básica de juros. Então, a Selic também serve como uma ferramenta de equilíbrio econômico para o governo.

Taxas de câmbio

As taxas de câmbio também sofrem influência da taxa Selic. Talvez o que sofra maior influência seja o dólar, pois, quando seu preço sobe, em comparação à moeda nacional, os produtos que vêm do exterior têm o valor elevado. Consequentemente, o Banco Central eleva a taxa Selic para conter a inflação, diminuindo o consumo e os preços.

Selic também impacta nas taxas de câmbio, especialmente o dólar. Imagem: Pixabay

Investimentos

É de se imaginar que, se você tem um bom conhecimento de como anda a taxa básica de juros e como ela funciona, saberá como e quando investir. Afinal, esta é uma boa informação, principalmente para evitar riscos e desperdícios. O interessante é que a taxa de juros Selic pode funcionar como comparativo para as aplicações de renda fixa, dando um norte para quem investe nesses segmentos.

Certificados de Depósitos Bancários (CDBs)

Os Certificados de Depósitos Bancários ou CDBs são investimentos que você pode fazer à instituição financeira, em forma de empréstimos ao banco. Em retorno, você recebe a taxa de rentabilidade gerada no momento da compra. É um tipo de investimento que tem crescido bastante e vem se provado melhor, inclusive, do que a própria poupança!

Como ele está diretamente relacionado aos bancos e às suas taxas de rentabilidade, é de se imaginar que a taxa Selic atinja diretamente quem investe nas CDBs. Basta pegar o exemplo de como, atualmente, investir nos Certificados de Depósitos Bancários tem se tornado mais vantajoso que poupanças.

Por exemplo, em 2018, a taxa Selic foi de 6,50% ao ano e a caderneta estava com rendimentos de apenas 4,55% a.a., contra 8,39% do CDI (Certificados de Depósito Interbancário). Se aplicado na poupança, o dinheiro poderia deixar de render quase o dobro. Quando comparado a um CDB que paga mais de 100% do CDI, a diferença pode ser ainda maior.

Letras de Crédito Imobiliário (LCIs)

Emitida por bancos, as Letras de Crédito Imobiliário, ou LCIs, constituem outra forma de investimento de renda fixa. Porém, o foco da LCI, como o nome já adianta, é o setor imobiliário, pois os recursos captados pelo emissor serão utilizados para o financiamento das atividades deste segmento.

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) são recursos captados para financiamento do segmento de imóveis. Imagem: Freepik

Assim como ocorre nas CDBs, em retorno, o banco oferece a taxa de rentabilidade anual que é definida no ato de compra. Vale ressaltar que, ao investir numa LCI, você já pode ter uma noção de quanto irá seu dinheiro irá render, já que ela possui uma data de vencimento estabelecida.

É possível detectar a importância da Selic, pois, como são emitidos por bancos e sua rentabilidade está ligada ao CDI – que diverge muito pouco da Selic – deve-se observar de perto a taxa para que se acompanhe os investimentos.

Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs)

Também emitida por bancos, as Letras de Crédito de Agronegócios ou LCAs funcionam exatamente como as LCIs. A única diferença é clara: o segmento no qual os recursos captados serão investidos – neste caso, o de agronegócios.

Letras de Crédito de Agronegócios (LCA) são iguais às LCIs, porém do segmento de Agronegócios. Imagem: Freepik

O mesmo destaque em observação da taxa Selic é válido para as LCAs. Esses investimentos em títulos privados tem relação com os bancos, portanto, envolvem as CDIs que têm taxas muito similares à taxa Selic. Assim, observá-las de perto para checar os rendimentos é fundamental.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic funciona como uma espécie de CDB do governo. Na prática, você empresta dinheiro para o governo e recebe os juros a partir dessa transação. Especialistas afirmam que esta é uma das formas mais seguras e rentáveis de investimento. No primeiro semestre de 2018, quem investiu em Tesouro Selic chegou a ganhar 7 vezes mais do que quem investiu em poupança, por exemplo.

Além disso, você pode sacar o dinheiro do Tesouro Selic quando quiser, ao contrário da poupança. E é claro que, neste caso, a taxa Selic é de fundamental importância. Esse índice delimitará o rendimento do seu investimento.

Poupança

A caderneta de poupança também sofre influência da taxa Selic. E isso pode ocorrer de duas formas. A primeira delas é quando a taxa Selic bate um valor superior a 8,5% ao ano – desta forma, a poupança rende 0,50% ao mês + a taxa referencial (TR).

A outra acontece quando a Selic é menor ou igual a 8,5% ao ano – neste cenário, a poupança renderá 70% da taxa básica de juros do período.

Em 2018, a Selic foi de 6,5%. Portanto, o cálculo para a poupança foi o equivalente a 70% da Selic.

Por fim, é notório que saber de todas estas informações é de fundamental importância para qualquer um que queira investir ou saber minimamente como o sistema de juros funciona no Brasil. Esse sistema não só é alvo de polêmicas político-econômicas, como também serve para a orientação na hora de tomar as decisões corretas para investir no futuro com segurança. Para conhecer mais sobre esse assunto, continue de olho em nosso blog.


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